sexta-feira, 11 de agosto de 2017

CULTURA DO SUFICIENTE


CULTURA DO SUFICIENTE
A economia global segundo o modelo de cooperação indígena

A maneira como vemos o mundo determina nossa maneira de agir em relação a ele. Na visão da atualidade, com a prevalência de uma cultura global baseada em uma filosofia tradicional ocidental,temos um modelo de economia que está a criar abismos sociais, guerras, escassez e degradação ambiental, com o esgotamento de recursos naturais e crises energéticas.

A partir de matéria publicada pelo site nova consciência, com base no modelo cooperativo familiar, são feitas considerações importantes para refletir sobre o atual modelo econômico, com base na filosofia ocidental, e os princípios da filosofia indígena para uma economia sustentável.

Uma das referências do modelo atual vem do filósofo ocidental Hobbes que descrevia os seres humanos envolvidos em uma guerra uns com os outros por recursos. Uma visão que determina as vidas humanas como solitárias, pobres, desagradáveis, brutais e breves, tendo em vista a ênfase na competição e conflito. E essa percepção do indivíduo, trabalhando sozinho, em competição com os outros, predomina hoje na tradição filosófica ocidental. 

Exemplos disso, nos dias de hoje, são a crise humanitária de refugiados vindos de países de origem árabe como a Síria,em guerra por recursos como o petróleo, bem como países de origem africana, assolados pela pobreza, em grande parte pela atividade de corporações extrativistas que exploram recursos naturais desses países, com manejo de mão-de-obra pouco ou não remuneradas.

Na filosofia indígena, todos os indivíduos estão relacionados como parte de uma comunidade baseada em laços familiares e como parte da natureza em equilíbrio com o todo. As sociedades indígenas enxergam a prosperidade na natureza, preservando seus recursos, compartilhando e cooperando na gestão ambiental.

Na filosofia ocidental, em sua maioria, a sociedade é vista como um agregado de indivíduos cada qual com os seus interesses pessoais em uma competição entre si por recursos limitados, o que gera o sentimento de medo, insegurança e uma escassez de espírito.

De acordo com essa visão, tudo na Terra é classificado: minerais, plantas, animais e tudo é baseado na hierarquia, segundo uma visão antropocêntrica, com os humanos no topo dominando tudo que julgam lhes estar abaixo.

Na maneira que os índios veem o mundo, os seres humanos são uma parte igual num todo vibrante e interligado.


Duas visões do mundo, dois sistemas econômicos muito diferentes.

A economia global atual é impulsionada pela predisposição à escassez de recursos, pela produção intensiva centralizada e por indivíduos com apetite acumulador insaciável.

    1. Para se ter uma ideia, a riqueza combinada dos três indivíduos mais ricos do mundo excede o PIB dos 47 países mais pobres. O mundo tem apenas 497 multibilionários enquanto metade da população sobrevive com menos de dois dólares por dia. 40% dos recursos terrestres são possuídos por apenas 1% da população.

   2. A economia indígena vê o mundo como interdependente, tem produção descentralizada e promove uma gestão de recursos responsável, com abundância, com laços familiares, com a crença de que existe o suficiente para todos, encorajando a partilha e a cooperação, de forma justa e equitativa. Todos esses pré-requisitos para a sustentabilidade, onde a saúde da economia é medida pela saúde do todo.

   3. Para o modelo ocidental, a saúde da economia de mercado é medida pelo Produto Interno Bruto (PIB). Quanto mais produzimos e consumimos, melhor está a economia. Para tanto, há um grande investimento na construção de edifícios, na manufatura, na produção de veículos que são considerados produção positiva, bem como a fabricação de armas e cigarros. Enquanto isso, investimentos com saúde e educação são considerados custos, produtividade econômica negativa. E o impacto dos custos físicos e emocionais das guerras sobre o PIB ou da poluição que ameaça um terço das espécies animais em todo o mundo são consideradas externalidades irrelevantes e estão fora do sistema. Nem sequer aparecem no balanço comercial. Um sistema insustentável onde a escassez de recursos é uma profecia auto-realizável.

O território dos povos indígenas representa 24% da superfície terrestre e abriga 80% de toda a biodiversidade terrestre. E isso não é uma coincidência.Nas culturas indígenas, equilíbrio e harmonia não são noções românticas, mas fundamentos milenares de produtividade.

O que podemos aprender com a cultura indígena é que:

- A natureza é essencial para a sobrevivência.
- A produção e a proteção estão juntas.
- Sucesso econômico sustentável cria bem estar para todos.

Portanto, há que se promover: “uma sociedade que considere todos os seres humanos como iguais, que funcione como uma FAMÍLIA global, utilizando um modelo econômico COOPERATIVO em substituição ao atual modelo nocivamente COMPETITIVO”.

Podemos contribuir com uma economia sustentável, dando preferência ao consumo de alimentos orgânicos, certificados, de produtores locais, bem como de marcas de empresas comprometidas com a preservação ambiental, que destinam parte do valor das vendas, por exemplo, para ações de reflorestamento, preservação de mata nativa, fauna e flora, com solo e rios preservados e menos poluição.Deste modo, estaríamos nos aproximamos de alguns dos valores da cultura indígena que se preocupava com o meio ambiente.

Em nosso dia a dia podemos fazer pequenas escolhas nas compras de produtos que entram em nosso lar de empresas que têm em si uma contribuição com o todo, como exemplos: Mãe Terra, Native, Jasmine, Olvebra, Yoki, Fhom, Bem Orgânico, Sabor Vital, entre outras.Usar produtos de limpeza biodegradáveis, como a linha Ypê, também é uma eficaz maneira de diminuir o impacto na natureza.

Outra maneira de agir ecologicamente é simplesmente utilizar menos plástico, dando preferência a embalagens de papel e metal reciclável e utilizar mais sacolas retornáveis.

É de suma importância evitar o consumo desenfreado, movido por impulso e sem necessidade. Fazer o descarte atento à reciclagem, inclusive de celulares e toda linha de eletrônicos que têm várias partículas tóxicas em sua composição.

Seja qual for a sua tribo, saiba que não é um programa de índio cuidar da nossa natureza! Isso é agir com responsabilidade sobre nosso futuro e preparar um mundo melhor para as novas gerações... Mãos à obra!


Fonte: www.novacomunidade.org


Dizy Ayala

Blogueira, Revisora, Escritora, Vegana.
Formanda em Publicidade e Propaganda -  
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos
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Uma Escolha pela Vida
Ação pelos Direitos dos Animais  
dizyayala@gmail.com


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